O dia 6 de junho, quando o
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga a ação que pode cassar a chapa Dilma
Rousseff/Michel Temer, está sendo tratado como o dia D do governo nos dois
lados da Esplanada, com o Planalto vendo a ação como a última barreira para sua
sobrevivência e parte do Congresso como a solução para uma troca de governo
menos traumática.
No Palácio do Planalto há, hoje, um temor evidente de que, ao
perder apoio no mercado e não conseguir segurar o Congresso, a "solução
TSE" ganhe ainda mais força.
"Há um risco objetivo. O caminho do impeachment é muito pouco
provável, o TSE é um jogo lógico. Vai haver muita pressão sobre os
ministros", disse uma fonte palaciana.
Até o surgimento da delação dos executivos do grupo J&F, o
governo dava como certo de que a tese do relator, ministro Herman Benjamin, que
propõe a cassação da chapa com a manutenção dos direitos políticos de Temer,
seria derrotada e o presidente seria mantido, em nome da
"governabilidade".
Agora, a "governabilidade" pode ter mudado de lado. O
Planalto dá como certo que três ministros votarão contra o governo e já não tem
certeza dos outros quatro.
Do outro lado da rua, o Congresso Nacional discute abertamente
soluções para uma transição do governo, mesmo dentro da base aliada. Em
entrevista nesta terça à rádio Gaúcha, o líder do PMDB no Senado, Renan
Calheiros (AL) --que não é exatamente um aliado de Temer-- defendeu abertamente
a eleição indireta.
"A saída que mais interessaria ao Brasil hoje seria fazermos
uma eleição agora, pelo Congresso Nacional. O mais rapidamente possível eleger
o presidente e o vice-presidente da República", disse.
Principal força que sustenta o governo hoje, o PSDB --mesmo
abatido com o ocaso de seu presidente licenciado, o senador Aécio Neves-- já
pensa em um governo pós-Temer em que possa ter, mais uma vez, protagonismo,
conforme confirmaram à Reuters fontes ligadas ao partido.
A avaliação é de que dificilmente Temer conseguirá recuperar a
governabilidade. De acordo com um tucano de alto escalão, em conversas com
agentes de mercado, o recado é que já há uma dúvida clara entre investidores
sobre a capacidade do presidente de manter a agenda reformista.
O cuidado do partido até agora é para não criar uma ruptura brusca
que possa tornar o país ingovernável. De acordo com um dos tucanos ouvidos pela
Reuters, o partido vai esperar o desenrolar dos acontecimentos.
APOSTA
O governo aposta em uma demonstração de força no Congresso,
aprovando medidas provisórias e tocando a reforma trabalhista, que está no
Senado, para mostrar que não perdeu a base.
No entanto, as dificuldades enfrentadas nesta terça na Comissão de
Assuntos Econômicos, quando o relator Ricardo Ferraço (PSDB-ES) não conseguiu
ler formalmente seu parecer não ajudaram na tarefa. [nL1N1IP284]
Ainda assim, o Senado aprovou três MPs e a Câmara a que autoriza
saques de contas inativas do FGTS, que contava com o apoio da oposição.
"A situação é tensa e dramática. A posição vitoriosa até
agora é de manter o país funcionando. O PSDB admite manter o apoio a uma
agenda, mas não resolve. E se for esse mesmo o caso temos que pensar em uma
solução", disse à Reuters o tucano de alto escalão.
A solução vista pelo PSDB é a cassação pelo TSE, já que se admite
que muito dificilmente Temer irá aceitar a renúncia. Fontes palacianas ouvidas
pela Reuters confirmam que o presidente nem mesmo admite que se pronuncie a
palavra em sua presença.
Os tucanos trabalham com a solução TSE e uma eleição indireta na
sequência, mas sem alienar o PMDB --daí a decisão de segurar a movimentação dos
mais afoitos e negociar nos bastidores enquanto espera.
"Em qualquer governo que vier, a presença do PMDB na
negociação é imprescindível para a governabilidade", diz o tucano.
Uma reunião entre o presidente interino do partido, Tasso
Jereissati (CE) e a bancada do partido na Câmara, mais afoita pela transição,
estava marcada para esta terça mas foi adiada para quarta-feira. Tasso tentará
fazer vencer a tese de que é preciso manter uma estabilidade nesse momento para
garantir uma transição tranquila, se for o caso.
Fonte o Globo
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