São Gonçalo
dos Campos, Ba, 17 de março de 2017 às 12:50h
SÃO GONÇALO
NEWS
BRF E JBS ESTÃO
ENTRE ALVOS DA OPERAÇÃO CARNE FRACA
A Operação Carne Fraca, deflagrada na manhã desta sexta-feira (17) em
seis estados e Distrito Federal, apura venda ilegal de carnes por frigoríficos
e inclui entre os alvos alguns dos principais grupos empresariais do ramo, como
BRF (controladora das marcas Sadia, Perdigão, Elegê, Batavo, entre outras) e
JBS (responsável pelas marcas Friboi, Seara, Le Bon, Rezende, entre outras).
Além dos 331 mandados, sendo 38 de prisão; a Justiça Federal do Paraná
determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão dos investigados – o ministro da Justiça,
Osmar Serraglio, é citado nas investigações e aparece em grampo interceptado
pela operação conversando com o suposto líder do esquema criminoso, ao qual se
refere como "grande chefe". A quadrilha, liderada por fiscais agropecuários
do Ministério da Agricultura, facilitava a produção de produtos adulterados e
emitia certificados sanitários sem fiscalização, mediante pagamento de propina.
Com a apuração, verificou-se que o uso de carnes podres por alguns
frigoríficos, que eram disfarçadas com ácido ascórbico, e a reembalagem de
produtos vencidos. Entre os presos, estão executivos da BRF como gerente de
relações institucionais e governamentais, Roney Nogueira dos Santos, e o
diretor da BRF para o Centro-Oeste, André Baldissera. Também estão são alvo
funcionários da Seara e do frigorífico Peccin, que é um dos que tinha
irregularidades gravíssimas, como uso de carnes podres, segundo a PF, além de
fiscais do Ministério da Agricultura. A PF informou que essa é a maior operação
já realizada na história da instituição, com a participação de 1,1 mil
policiais em seis Estados (Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do
Sul, Minas Gerais e Goiás) e no Distrito Federal. Segundo a PF, os frigoríficos
tinham influência direta no Ministério da Agricultura para escolher os
servidores que fariam a fiscalização. Roney dos Santos chegava a ter acesso ao
login e senha do sistema de processos administrativos do órgão, de uso interno.
“Parece realismo mágico. Infelizmente, não é", afirma o juiz Marcos Josegrei
da Silva, da 14ª Vara Federal do Paraná, que emitiu as ordens de prisão. Os
fiscais utilizavam apelidos para propina, como "dedo",
"luva" e "documento". O suborno utilizava até mesmo caixas
de carne, frango, pizzas, ração para animais e botas. "É um cenário
desolador", afirma Josegrei. "Resta claro o poderio de intimidação,
de influência e de uso abusivo dos cargos públicos que ostentam para se
locupletarem, recebendo somas variáveis de dinheiro e benesses in natura das
empresas que deveriam fiscalizar com isenção e profissionalismo".




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