terça-feira, 07 de fevereiro de 2017.
Fonte Informe Baiano

Escutas telefônicas divulgadas nesta segunda-feira na Argentina
revelaram um novo escândalo no futebol sul-americano, novamente com o
Boca Juniors como protagonista. Conversas entre o presidente do clube
mais popular do país, Daniel Angelici, com dirigentes da federação
argentina, ocorridas em janeiro de 2015, evidenciaram a influência do
Boca na arbitragem. O caso não é inédito: há dois anos, escutas
telefônicas revelaram indícios de interferência da arbitragem na
eliminação do Corinthians diante do Boca, na Copa Libertadores de 2013 –
além de ajuda a clubes argentinos desde os tempos do Santos de Pelé.
Na noite desta segunda, o programa No Todo Pasa, da emissora TyC
Sports, revelou o conteúdo das conversas. Na primeira, o presidente
Angelici pede a Fernando Mitjans, presidente do Tribunal de Disciplina
da federação argentina até hoje, que dê um jeito de anular a suspensão
de dois atletas, Leandro Marin e Cristian Erbes, em uma partida decisiva
contra o Vélez, que valeria vaga na Libertadores de 2015.
“Estamos sem zagueiros, sem laterais”, exclama Angelici, pedindo que a
suspensão dos atletas seja reduzida ou cumprida em amistosos e não na
partida decisiva. “Fique tranquilo”, diz o presidente do tribunal. “Vão
jogar contra o Vélez”, diz, em trecho da amigável conversa.
A conversa mais estarrecedora, porém, se deu entre Angelici e Luís
Segura, então presidente da federação. “Luís, trate de falar diretamente
com esse menino Delfino (árbitro da partida) para quarta-feira, para
que ele trate de se equivocar o menos possível. Diga a ele que há muito
em jogo para o Boca”, pede Angelici, sem qualquer tipo de
constrangimento.
“Fique tranquilo que me ocuparei disso. Para esse jogo contra o
Vélez, tenha certeza de que sou o torcedor número 1 do Boca”, responde
Segura. Com Erbes e Marin, em campo, o Boca venceu o Vélez no jogo único
que definiria o último classificado argentino na Libertadores, por 1 a
0. O Vélez teve dois atletas expulsos e o Boca um, em jogo sem
interferências escandalosas do juiz Germán Delfino.
O Boca acabaria eliminado daquela Libertadores em uma decisão dos
tribunais: o jogo de volta das oitavas de final diante do River Plate
nem sequer terminou, depois que um torcedor do Boca atirou gás de
pimenta em direção a jogadores do maior rival. A Conmebol optou por
excluir o Boca e dar a classificação ao River – que vencia o agregado
por 1 a 0 e seria o campeão daquela edição.
Caso Amarilla – Em 2015, foram divulgados pela emissora América
outras gravações comprometedoras envolvendo o Boca Juniors. Em maio de
2013, Julio Grondona (ex-vice-presidente da Fifa e presidente da
federação argentina entre 1979 e 2014, o ano de sua morte) comentou com
Abel Gnecco (diretor da Escola de Árbitros da AFA e representante da AFA
no Comitê de Arbitragem da Conmebol) sobre a desastrosa atuação do
árbitro paraguaio Carlos Amarilla na eliminação do Corinthians diante do
Boca, na Libertadores.
“Saiu bem, ninguém queria esse louco, mas, no fim, foi o reforço mais
importante do Boca”, disse Grondona. Gnecco, então, afirma que o
paraguaio Carlos Alarcón, então chefe da arbitragem da Conmebol, teria
exigido a presença de Amarilla nesta partida. “Assim foi, colocou (o
Amarilla) e deu tudo certo, porque tem de ser assim…”, diz Gnecco.
Naquela partida, Amarilla não deu dois pênaltis claros e invalidou dois
gols do Corinthians. Grondona e Gnecco ainda discutiram sobre qual
árbitro deveria apitar o jogo seguinte do Boca, diante do Newell’s Old
Boys – a equipe de Rosário se classificou, na ocasião.




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